Quando e como nasce o vínculo com um bebê

Publicado  por: Redação Natura - 22/08/2017


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Não existe apenas uma resposta para esta pergunta tão profunda. O que é o vínculo? Um sentimento, uma relação? Um elo de ligação e até de dependência entre duas ou mais pessoas. Nada melhor do que o cordão umbilical para simbolizar toda essa história. Bom, então o vínculo com o bebê começa na gravidez. Certo? Pode-se dizer que sim. Mas algumas conexões, como a paterna ou a que se estabelece entre pais e filhos adotivos, podem ser tão imediatas e intensas quanto inexplicáveis. A verdade é que se existe um bebê a caminho para você cuidar esteja disposto a se aventurar para sempre numa construção constante de afeto. Quem cresce com vínculos fortes está protegido por toda a vida. Conheça o poder desse acolhimento no desenvolvimento emocional de uma criança.
 

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A importância do vínculo

Coloque na balança: o que você prefere dar para o seu filho? No lado direito, pese aquilo que o dinheiro pode comprar: as melhores escolas, cursos de idiomas, roupas caras... No lado esquerdo, não por acaso, o do coração, deposite atenção, cuidado e amor. O equilíbrio seria o melhor dos mundos, certo? Sim, o problema é que para proporcionar tudo o que está do lado direito, muitos pais tem aberto mão do esquerdo. Dedicam tempo demais ao trabalho, em vez de ficar em casa junto dos filhos.

Trata-se de uma inversão de valores, principalmente quando pesquisas comprovam que o mais importante para o desenvolvimento de uma criança, nos primeiros anos de vida, é grátis. E melhor do que isto: os benefícios duram por toda a vida e estão ao alcance de qualquer pessoa.

Uma relação de qualidade com um adulto responsável, atento e afetuoso é capaz de desenvolver características muito positivas para qualquer ser humano, tais como: persistência, autocontrole, curiosidade, escrúpulos, determinação e autoconfiança. Potencialidades que podem fazer a diferença no desempenho escolar da criança.

A troca de carinho pode começar com o bebê ainda na barriga. Há quem defenda a conversa ou mesmo a apresentação de músicas para a criança antes mesmo do nascimento dela. Mas, basta a intenção de acariciar. Massageie a barriga com as mãos e com o coração. Feche os olhos e concentre-se nas emoções que estão por vir. Esse é só o início de uma relação de afeto que será construída constantemente.  O quanto antes começar, melhor.

Vínculos fortes dão segurança e ajudam a regular emoções em situações de estresse. De acordo com um estudo divulgado pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, quando os pais apresentam um alto grau de atenção e se conectam positivamente com as crianças, elas lidam melhor com problemas e situações de estresse (tumulto, turbulências familiares, instabilidades). Isso tem a ver com os níveis de cortisol, hormônio ligado ao sistema emocional, que serve para controlar inflamações, alergias, estresse. Esses momentos têm grande efeito na produção de cortisol das crianças, mas apenas quando seus responsáveis se mostram desatentos ou indiferentes. Ou seja, é cientificamente comprovado que cuidados de qualidade funcionam como uma espécie de amortecedor contra eventuais impactos causados por adversidades. Eles constituem uma base segura a partir da qual a criança estará mais preparada para explorar o mundo, se comunicando melhor e com mais propensão a apresentar comportamentos como empatia e espírito colaborador.

É claro que todo esse aprendizado vem do exemplo. Não basta um adulto que não estimule a criança. É preciso que haja uma interação verdadeira, disponibilidade, paciência e tempo. Se a rotina estiver pesada, uma dica: tente aumentar gradativamente o tempo de convívio com o seu filho. Cinco minutos diários a mais por semana. Deixe de lado telas de celular, tablets ou televisão. Em poucas semanas, vai perceber como a relação de vocês terá se aproximado. Inexplicavelmente, vai se sentir mais leve, como uma criança. E seu filho, certamente estará, aos poucos, mais seguro, pronto para conquistar mais autonomia e crescer.
 

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