Em novo disco, Rubel encara o desafio de misturar folk e hip hop

Cada canção em Casas ganha a dimensão de um universo particular; disco tem a participação de Emicida e Rincon Sapiência.

O cantor carioca Rubel começou a carreira de maneira bem despretensiosa. Em um intercâmbio em Austin, no Texas (EUA), ele juntou amigos músicos que conheceu na cidade e gravou um álbum com sete canções, Pearl (2015). Com forte influência folk, o disco trouxe músicas suaves e letras românticas que, repentinamente, conquistaram o coração da internet.

Agora, mais maduro e com mais recursos, Rubel lança seu segundo álbum, o “Casas”. Neste novo trabalho, o artista mantém a característica folk pop e decide experimentar o uso de bases eletrônicas e batidas com influências bem brasileiras. No entanto, sua principal influência para esse novo processo criativo foi o hip hop, estilo que passou a consumir bastante nos últimos anos. A cereja do bolo desse novo trabalho foi a participação de Emicida na música “Mantra” e de Rincon Sapiência em “Chiste”.

“Casas” tem o patrocínio do edital do Natura Musical de 2016, no qual Rubel foi selecionado na categoria “Voto popular”. Na conversa que trocamos com Rubel, ele fala sobre o lançamento de cinco novos clipes, conta qual sua música preferida do novo álbum e muito mais. Confira:

Natura Musical: Como foi o processo de criação de Casas?
Rubel: Foi difícil, intenso e louco. Passei dois anos produzindo o disco até chegar no som que eu queria, porque era uma mistura  que eu tinha na minha cabeça, mas que eu não sabia como executar. Então, foi um processo de experimentação, de tentativa e erro. Foi uma busca por uma forma de produzir diferente de tudo que eu já tinha feito antes, que misturava um pouco da composição de canção tradicional com a produção muito inspirada pelo hip hop. No hip hop, tratam cada música como um universo separado, e não com uma mentalidade de produção de banda, na qual existem cinco pessoas, colocam no estúdio e todo mundo grava. E a gente tratou cada música como um universo diferente. Foi desafiador, mas deu certo.

E como surgiu essa ideia de misturar sua influência já conhecida de folk com hip hop e rap? 
Depois que eu gravei Pearl, praticamente eu só ouvi hip hop durante os últimos três, quatro anos. Eu me apaixonei muito. Pra mim, é o gênero mais inventivo de hoje, o mais criativo. O que, musicalmente e liricamente, tem as coisas mais interessantes. Para mim, parece que a vanguarda musical está no hip hop. Foi isso: me apaixonei e tive vontade de criar algum diálogo com esse universo. 

Hip hop nacional ou de fora?
Os dois.

Como foi a escolha das parcerias com Emicida e Rincon Sapiência?
De início, a dois anos atrás, eu já pensava no Rincon e no Criolo também. Com o Criolo não rolou nesse momento, talvez role no futuro. Mas foi muito foda, porque o Rincon e o Emicida também eram quem eu imaginava desde o início. O Emicida era uma das principais referências para a produção do disco, para a ideia, para os arranjos, para as vinhetas. 

O que você quis fazer de diferente e o que quis manter do estilo e da atmosfera do seu trabalho anterior?
De diferente, especialmente a produção. O primeiro disco foi feito sem arranjos, sem preparo, sem estrutura. Eu cheguei no estúdio e gravei tudo. A minha grande vontade era fazer um disco que fosse realmente trabalhado, que cada nota fosse muito bem pensada. E o que eu queria manter era a ideia de contar histórias, manter a essência da canção. Pra mim, toda produção só faria sentido se ela tivesse a serviço da canção, se tivesse a serviço do que eu estava dizendo. E eu não queria que esse disco fosse uma ruptura com o Pearl, queria que ele fosse uma continuação, que ao mesmo tempo honrasse, fizesse uma homenagem ao primeiro, mas trouxesse coisas novas.

No seu processo criativo, você fala muito em relação ao gênero e à produção do disco. E sobre as letras, como foi esse processo? 
Boa pergunta. As letras do Pearl são muito literais, diretas, muito na cara. E eu queria tentar outra forma de compor, que era um pouco mais abstrata, contar pequenas historinhas como se eu estivesse jogando várias tintas diferentes em um mesmo quadro, sem necessariamente desenhar a imagem final, sabe? Isso é uma coisa que o hip hop faz muito bem também, que é contar uma história de uma forma não literal e não linear. Você joga imagens e essas imagens por si só, quem estiver ouvindo, vai juntar e montar a história na própria cabeça. Isso é muito bonito e foi o que eu tentei fazer.

Você é formado em cinema. Como você aproveita esse conhecimento que tem na área e cruza isso com sua carreira musical?
Tem o clipe, que é a forma mais direta. Mas nas músicas, eu sempre tô fazendo elas estarem a serviço de uma história. Tanto a letra quanto a melodia. Geralmente, a harmonia eu costumo fazer de forma que ela tenha começo, meio e fim. Já nas letras, que uma emende na outra e que o disco por si só conte uma história. 

Como foi ser contemplado no edital de Natura Musical por voto popular? Você esperava todo esse retorno na época?
Foi demais. Foi o fechamento de um ciclo que a gente estava construindo há um bom tempo já com o primeiro disco, de construir uma relação muito bacana com o público, muito direta, de muito carinho. Porque eu nunca tive…agora eu tenho um pouco mais, mas naquela época eu não tinha apoio de mídia, eu tinha só as pessoas que acreditavam muito no que eu fazia e ficavam espalhando e mostrando para os amigos. Então, o voto popular foi a forma de concretizar todo esse movimento afetivo que já estava rolando há uns dois anos pra que eu pudesse dar meu próximo passo. 

Qual sua música preferida do álbum? Explica um pouco sobre ela. 
Mantra. Ela é a música que o Emicida participa. Ela é quase uma oração, tem uma coisa muito espiritual, muito forte. Nela, eu falo da minha relação com São Jorge, que é uma relação muito forte e que eu nunca consegui entender, porque eu nunca fui religioso, mas a imagem dele me traz muita força e muita proteção. E ela é a música que eu acho que está mais bem resolvida no disco, acho que ela é que a que menos tem uma experimentação de dois gêneros diferentes e traz mais uma ideia realmente acabada e realizada. Não parece que ela está tentando ser alguma coisa, ela é alguma coisa. Tem outras músicas no disco que eu acho que elas estão tentando chegar em algum lugar, mas essa música chegou.

Quais são seus próximos planos? 
Eu pretendo tocar muito até o fim do ano, fazer a turnê do “Casas”, fazer cinco clipes para esse disco. E o que mais que eu posso querer? Mais nada! É isso.

E quais são as músicas dos clipes?
Colégio e Chiste são as primeiras e já estão gravadas. Devemos lançar esse mês, ainda. Depois Mantra, Partilhar e Explodir. 

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