Perto do pai e do coração

Publicado por: Redação Natura- 29/05/2018
 


 

Enquanto a barriga da mãe cresce, a notícia da chegada de um bebê também gera enormes transformações no pai, especialmente na cabeça dele. É por isto que elas parecem tão menos evidentes durante a gravidez. Sem sofrer a montanha-russa hormonal que toma conta da mulher nesta fase, o homem atravessa os nove meses, procurando ser o mais racional possível, questionando sua capacidade de ser um “pai de família” e fazendo muitos planos para o futuro.

Quando o bebê nasce, além de pensar, ele passa também a sentir. Ok, a gente sabe que muitos pais iniciam a conexão e o vínculo desde a barriga, mas para grande parte, a “ficha cai” mesmo quando o olhar dele se cruza com o da criança recém-chegada. Olhar para aqueles olhinhos faz qualquer um mergulhar num universo totalmente desconhecido. E esse é só o começo de uma relação que tem muito a ensinar para as duas partes.

Mas só mesmo os pais mais corajosos encaram esse aprendizado por inteiro, buscando o caminho mais desafiador. E infelizmente, eles ainda não são a maioria, mas são cada vez mais numerosos. Mesmo sem nunca ter brincado de boneca, eles se lançam aos banhos, trocas de fralda e noites mal dormidas como quem encara uma aventura. Claro que as mães também precisam aprender a ceder esse espaço para que o pai ocupe e o filho cresça com diferentes referências de carinho, amor e até modo de pensar. Não é fácil para ninguém. Mas pode revolucionar, para melhor, a vida de todos.

Os homens têm a chance de reinventar sua própria masculinidade, revisitando a infância e percebendo, com as crianças, que chorar faz parte da vida. Sem essa de que meninos ou homens não choram!

Participar da rotina prática e afetiva dos filhos, compartilhar a intimidade, as emoções e as conquistas está, aos poucos, se tornando o novo modelo de paternidade. Com autoridade, mas sem ser autoritário. Com firmeza, mas sem usar a força bruta. Com respeito aos valores humanos e às diferenças.

Há quem diga que, ainda nos dias de hoje, se faz necessário um gene masculino e um feminino para gerar um ser humano. Para criá-lo, a proximidade com um homem, além da mulher também é fundamental. Não precisa ser de sangue, não precisa ser apenas um único pai, pode ser padrasto, amigo...chame-o como quiser. Mas que a possibilidade de formar esse vínculo especial entre um pai e um filho não seja desperdiçada jamais.

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