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Como ter amor próprio pode tornar a vida mais leve

Cuidar de si mesma e respeitar suas vontades mais verdadeiras e essenciais é muito mais poderoso do que parece

Publicado em 20 dez 2018, 20:12

Quantas vezes você olhou no espelho e não gostou da imagem que viu? Ou questionou se você era apta para exercer seu cargo no trabalho? Em algum momento da vida, você já se sentiu (ou se sente) insatisfeita consigo mesma? A solução para se tratar com gentileza está no amor próprio.

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Em vez de ressaltar o que você não gosta, que tal admirar suas qualidades? Pense na sua trajetória e no que a levou a chegar onde está, como você fez tudo isso. É claro que essa transição do pensamento pode levar um tempinho. Então, tenha calma e paciência no processo. É um aprendizado constante romper com as expectativas dos outros e as suas!

O amor próprio faz parte da construção da identidade, entendendo que os chamados "padrões impostos pela sociedade" talvez não sejam condizentes com sua realidade. Tudo bem ter cabelo cacheado, preferir não usar brincos e deixar a manicure de lado quando você quiser. É ter o poder de decisão nas suas mãos para transformar o que você quiser, independentemente do que as pessoas vão achar (ou deixar de achar). Além de transformar a relação que você tem consigo, o relacionamento com o mundo fica muito mais leve.
 

A aceitação do corpo


"Em sociedades que têm uma grande desigualdade de gênero, essas marcações do corpo feminino são perpetuadas e nada pode ameaçá-las. O corpo é formado por diversas possibilidades, desde a produção do corpo em si (alimentação, ginástica, plástica) até o que ele carrega (adornos)", explica Paula Pinto e Silva, doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo.

Revistas, propagandas e novelas propagam aos quatro ventos o que é considerado um padrão de beleza na sociedade brasileira. Ele é exaltado e sempre reforçado, promovendo a sensação de que, ao enquadrar-se no formato idealizado, há mais chances de uma vida melhor.

"As mulheres percebem, em determinado momento, que o cuidado com o corpo permite que elas transitem em uma sociedade que não tem flexibilidade para esse corpo. Acabam sendo vítimas do próprio corpo, no sentido que elas entendem que esse código existe e, em vez de questionar, tentam se manter dentro dele", diz Paula.

Quando chega o verão, parece que as preocupações com a estética física aumentam: intensificam-se as práticas de exercícios físicos, dietas que prometem milagres e tratamentos para se ver livre de celulites, estrias e marcas consideradas fora do padrão. "Um corpo ocidental feminino já nasce, de alguma forma, com uma expectativa de estar no mundo sempre adornado ou embelezado", pontua a antropóloga. No meio dessa exigência de estar bem para os outros - e não para você mesma -, esquecemos do principal: aproveitar o clima quente, as viagens e a época de tantas festividades.

Cuidar de você não é pecado: o difícil é encontrar o equilíbrio entre o que faz bem a você e o que traz mais infelicidade em algo inatingível. É lembrar que cada corpo conta uma história em cada marca, que não pode ser simplesmente apagada e padronizada. "Mais do que tentar se rebelar, tentamos nos adequar. O povo brasileiro é do não confronto, de não afetar o outro, de não incomodar com algo que se rebele contra a expectativa."

Permita-se ficar bonita

Isso não significa que você deva abandonar toda e qualquer atitude por parecer superficial. Cada pessoa sabe aquilo que faz bem para si e deve incorporar isso no cotidiano, principalmente com os outros. É importante saber respeitar a liberdade de escolha do outro se queremos ser respeitadas pelas nossas. "O autocuidado e a autoaceitação também são processos coletivos. Me sinto mais forte quando vejo outras mulheres que estão fora dos padrões e não as julgo e vice-versa", explica Paula.

Presentear-se com um spa caseiro, valorizar suas qualidades e abraçar o corpo que você carrega são pequenas mudanças diárias que ajudam a cultivar o amor próprio. Quando você se respeita, é possível emanar essa ideia para a sociedade. Dessa forma, a mudança de pensamento passa a ser coletiva também.