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Consultora de Beleza cria projeto que acolhe mulheres vítimas de violência

Conheça o trabalho da Associação Mulheres de Atitude com Compromisso Social, de Duque de Caxias

Publicado em 7 nov 2018, 15:11

Desde 1999, a Organização das Nações Unidas (ONU) propõe reflexões sobre as situações de violência contra a mulher. Um problema que assola o mundo inteiro e se prova por meio de estatísticas brutais. Só no Brasil, 16 milhões de mulheres foram agredidas no último ano. São 1.830 por hora, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Púbica (FBSP). 

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Muitas vivem a violência e não sabem. Usamos os cursos de artesanato para que essas mulheres tenham um trabalho e conquistem independência financeira. Com elas aqui, vamos aprofundando os assuntos sobre o que é essa violência nas mais diversas formas”, conta Nill – como gosta de ser chamada –, que fundou a ONG em 2012. 

Entre os cursos oferecidos, estão ainda os de design de sobrancelhas, confeitaria, entre outros. A Amac também dispõe de psicólogos e assistente social, que prestam o primeiro acolhimento às vítimas. Entre janeiro e novembro de 2018, cerca de 1.200 mulheres de Duque de Caxias e região foram atendidas. 

Consultora de Beleza cria projeto que acolhe mulheres vítimas de violência

“Acolhemos mulheres de todas as idades, com incidência maior na faixa etária entre 16 e 45 anos. A maioria tem mais de um filho, quase sempre menores de 5 anos. Elas chegam até nós, passam pela assistente social, que identifica o que precisam de imediato, e, assim, entramos em contato com os órgãos responsáveis do Estado, se for o caso”, explica Nill. 

Além das atividades de rotina da ONG, que conta com uma escala de 20 voluntárias fixas, três vezes por mês, elas fazem uma roda de apoio para tratar sobre a conscientização de direitos da mulher. Para Nill, o grande benefício da Amac é “dar coragem e empoderar essas mulheres”.

Falamos sobre os mais diversos assuntos, como beleza, saúde e, principalmente, pautamos o respeito entre homem e mulher, que é o que precisamos buscar sempre”, diz ela, reforçando o apreço pela participação masculina nessas ocasiões. “Precisamos falar com os dois públicos.”

O projeto de Nill faz parte do Movimento Natura, nossa plataforma on-line que reúne ações socioambientais e de cidadania e que, uma vez por ano, podem ser reconhecidas pelo Prêmio Acolher. A Amac foi contemplada em 2015. 

A história do projeto se cruza com a de Nill. “Transformei minha dor de viver a violência doméstica em esperança para muitas”, conta. E acrescenta, orgulhosa: “Ajudar e poder inspirá-las é meu grande retorno. Ver essas mulheres donas dos próprios destinos é a certeza de que o trabalho diário vale a pena”. Dessa forma, ela contribui para a construção de um mundo mais bonito

Ligue 180 e denuncie 

Em âmbito nacional, outros meios contribuem para reverter esse cenário de violência. Em agosto deste ano, a Lei Maria da Penha, que leva o nome da mulher que ficou paraplégica após levar um tiro do marido, completou 12 anos. Sancionada em 2006, ela representou um marco fundamental na proteção dos direitos humanos, uma vez que endureceu a punição a qualquer tipo de violência contra a mulher. 

No Brasil, o último balanço do Ligue 180 (Centro de Atendimento à Mulher) revela que, entre janeiro e julho de 2018, foram registradas 27 denúncias de feminicídio e 547 tentativas. No mesmo período, relatos de agressão ultrapassaram 79 mil, entre violência física e psicológica. Os dados foram divulgados pelo Ministério dos Direitos Humanos (MDH). Por isso, a importância de canais de denúncia, como o 180. Além de gratuito, ele funciona 24 horas por dia, acolhe manifestações e dissemina informações sobre os direitos da mulher. 

Além de crime, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a violência contra a mulher um problema de saúde pública, por provocar lesões às saúdes física e mental, e que atinge todas as classes sociais.