Josyara lança “Mansa Fúria”, seu segundo álbum

No novo trabalho, a cantora baiana traz o diálogo entre voz, violão e texturas eletrônicas

Publicado em 5 set 2018, 16:09

Já está disponível nas plataformas digitais o segundo disco de Josyara. Mansa Fúria (Natura Musical) traz um retrato da cantora, compositora e violonista baiana em seu percurso sertão/litoral/metrópole. Nascida em Juazeiro, no interior da Bahia, Josyara traz em suas composições um olhar sensível sobre seu cotidiano e sua história, embaladas por um violão percussivo e potente.

Se em seu disco de estreia “Uni Versos” ela apresenta suas raízes do sertão baiano, em Mansa Fúria ela escancara sua versatilidade trazendo uma voz e violão que dialogam perfeitamente com texturas eletrônicas.

Em Mansa Fúria, Josyara não deixa de lado a crítica social, a voz contra o racismo e a reafirmação da liberdade sexual. “Hoje temos mais acesso as histórias, as pessoas estão tendo voz e contando suas dores. Isso nos dá coragem de unir para trocas essas ideias e tentar não nos machucar tanto com as opressões que sempre existiram (e que infelizmente vão existir por um bom tempo). Não é fácil ser mulher e se abrir desse jeito, libertar o corpo e se assumir dona de si. Mas estamos no caminho de crescimento, estamos amplificando o olhar. Gosto de dizer o que sou e compartilhar esses sentimentos que são vividos por muitos”.

“Percebi que minhas canções refletem muito as águas e seus movimentos”, acrescenta a cantora. “É como meu corpo reage. Uma hora maré mansa, outra mar revolto, rio na enchente. Eu transbordo demais. Mansa Fúria também é o nome da música mais antiga do disco, tem cerca de 10 anos. E quando eu a escolhi percebi que tinha uma força grande que ainda carrego comigo. Nela diz ‘por que eu quero é viver na mansidão, mansa fúria como o mar’. É isso. As outras canções falam também muito nessa calmaria raivosa de como levo a minha vida”, complementa.

Algumas figuras também têm presença forte nas letras da artista: as frutas locais como a pinha, carambola, umbu, o árido sertão de sua terra natal, o encontro com o mar na capital soteropolitana, Yemanjá, Nanã. “É tudo muito natural. Não racionalizo muito quando estou no ápice da criação. A reflexão vem muitas vezes depois que escrevo, como um sonho que ganha significados depois que a gente acorda. Gosto de observar, contemplar com prazer as coisas que vejo beleza. Acredito que a nossa ligação com a beleza e a espiritualidade é ancestral, é esse diálogo entre a nossa natureza intuitive e o mundo exterior. Conto o que vejo cantando”.

Morando em São Paulo desde o ano passado, Josyara sente a metrópole como reafirmação de suas raízes. O lugar que ela conversa com a saudade. Onde ela se enxerga com clareza como mulher persistente, que não tem problema de voltar pra casa quando desejar. “São Paulo me deixa sempre nessa sensação de retorno e proteção do que desejo”.

Ouça Mansa Fúria completo aqui: