Ouça agora Ansiedade na Cidade, novo disco da Catavento

Terceiro álbum da banda gaúcha fala sobre os tempos de ansiedade que assolam o século XXI

Publicado em 5 set 2018, 18:09

O grupo gaúcho Catavento, um dos grandes representantes da música psicodélica no Brasil, acaba de lançar o disco Ansiedade na Cidade (Natura Musical). O álbum traz dez faixas compostas por Leonardo Lucena (vocal, guitarra e baixo), Leonardo Sandi (vocal, guitarra e teclado aika), Eduardo Panozzo (baixo, guitarra e vocal), Johnny Boaventura (vocal, piano elétrico e teclados), Francisco Maffei (samples, sintetizadores, guitarras e vozes), Lucas Bustince (bateria e percussões) e  Jonas Bustince (percussões e bateria). 

A produção é de Francisco Maffei, integrante da banda que também assina a mixagem e masterização. O álbum foi pré-produzido no estúdio Porão Honey Bomb, em Caxias do Sul (RS), onde foram gravados vozes e sopros. Ainda na cidade natal do grupo, algumas vozes também foram gravadas no estúdio Retrola. Já a base de todo instrumental foi registrada no estúdio Audio Porto, em Porto Alegre, um dos estúdios mais bem equipados da América Latina, sob supervisão de Felipe Magrinelli, engenheiro de som que já trabalhou com Lulu Santos, Os Paralamas do Sucesso, Titãs e Zé Ramalho. 

Influências
Ao longo do processo de gravação, a banda ouviu com frequência artistas como Arthur Verocai, Marcos Vale e Ana Mazzotti, que foi pianista, jazzista, arranjadora, líder do grupo o Conjunto Desenvolvymento. "O som e a história dela influenciaram bastante a gente nesse período. Ouvimos também King Krule, BadbadnotgooDDD, Beach Fossils, DIIV. Nossos amigos do Boogarins também nos influenciaram de certa forma, assim como Apanhador Só, Ava Rocha, muito groove americano e neo soul R&B, Erykah Badu e Vulfpeck", diz Jonas Bustince, percussionista que passa a fazer parte da banda no palco. "Sou irmão do Lucas, baterista. Somos também filhos de um baterista. Vem de família a coisa", conta.

Além disso, o saxofonista Cléomenes Júnior, da banda Trabalhos Espaciais Manuais faz uma participação especial tocando saxofone e flauta transversal em cinco faixas. Outra forte característica deste álbum é o piano elétrico, que está bem presente. Nos discos anteriores, a banda apostava mais em instrumentos de órgãos. "As músicas são fruto de pequenas ideias que foram surgindo ao longo de 2017. No início desse ano, nós nos mudamos para o porão, onde ensaiamos, gravamos e convivemos. Esse espaço foi essencial para a evolução de todos nós como músicos e como banda. A pré-produção no início de 2018 foi uma parte crucial pras músicas ficarem fechadinhas. Toda essa vivência de ensaios e das jams do ano passado foram absorvendo coisas que ouvimos", lembra Jonas.

A direção de arte e ilustração da capa é de Leo Sandi. Leo Lucena ficou responsável pela diagramação do álbum. Ele é distribuído pela Tratore e faz parte do selo Honey Bomb, administrado pelos integrantes da banda. Além da Catavento, My Magical Glowing Lens, Não Alimente os Animais, Nevoar, Supervão e a Marrakesh são algumas das bandas que fazem ou já fizeram parte do casting do selo.

O primeiro disco, Lost Youth Against The Rush (2014), era uma revolta bem clara contra o sistema; o segundo, CHA (2016) falava sobre a anarquia e a pureza das crianças, ao mesmo tempo em que remetia à liquidez das sociedades e das relações mergulhadas em uma modernidade líquida. Já Ansiedade na Cidade trata de sentimentos como ansiedade, culpa, encarar a própria sombra, a relação com a cidade, com os corres diários. "Ansiedade na Cidade aborda mais profundamente a dor, é bem menos utópico e escapista. Mais pé no chão, maduro no sentido natural da evolução de todos nós como pessoas e adultos", diz Jonas.

Assista ao álbum visual completo aqui: