Sem testar em animais, como a Natura garante a segurança dos produtos?

Pele e córnea criadas em laboratório estão entre as 67 metodologias desenvolvidas para substituir os testes em animais

Publicado em 20 jul 2018, 15:07

Imagine ser imobilizado, ter uma substância química aplicada em seus olhos e ser obrigado a ingerir ou a inalar produtos químicos. Ficou horrorizado só de pensar? Pois essas são algumas modalidades de testes em animais, feitos por muitas indústrias para garantir a segurança e a eficiência de cosméticos.

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Graças à pressão popular, a avanços legislativos e a muito investimento em tecnologia, há empresas deixando para trás essa prática. No Brasil, a Natura foi uma das companhias gigantes do setor a assumir, em 1998, o compromisso de não testar em animais.

Investimento em tecnologia

Para cumprir a meta estabelecida, investimos em infraestrutura, criando um laboratório de análise toxicológica na fábrica em Cajamar (SP) e contratando pesquisadores. Os primeiros resultados desse esforço foram colhidos já em 2003, quando paramos de testar produtos acabados em animais.

Em dezembro de 2006, abolimos a prática em todas as fases de desenvolvimento de nossos cosméticos. Dois anos depois, passamos a integrar lista do Projeto Esperança Animal (PEA), organização não governamental que, anualmente, publica a relação das companhias brasileiras que não realizam testes em animais. 

 

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Fim dos testes em animais

O banimento completo da prática resultou em parcerias com mais de 20 universidades e instituições de pesquisa e no desenvolvimento de 67 metodologias alternativas. Inaugurar um Centro Avançado de Tecnologia, em Paris, foi mais um passo para assegurar nosso acesso a iniciativas de vanguarda na área.

Com o fim dos testes em animais, adotamos uma estratégia integrada de testes, combinando métodos para garantir a segurança de um produto.

A primeira etapa desse novo processo é o in silico, que consiste em simulações via computador. Um software que imita a biologia humana analisa a estrutura química dos ingredientes, com base em semelhanças com substâncias já conhecidas, e simula seus perigos para a saúde.

Pele e córnea 3D

Feita a análise nessa ferramenta, é hora dos ensaios biológicos, que avaliam o comportamento do produto aplicado em tecido vivo, com o uso de pele e córnea 3D geradas em laboratório. Nessa etapa, verificam-se tanto os efeitos positivos do cosmético quanto os negativos.

As células podem ser isoladas para a cultura in vitro a partir de sangue, fluidos corporais e também de peles de doadores submetidos a procedimentos cirúrgicos. Cultivadas em ambiente ideal e recebendo as substâncias necessárias para seu crescimento, as células criadas em laboratório funcionam como unidades independentes similares a micro-organismos como bactérias e fungos.

Com esse método, os cientistas conseguem reproduzir as duas camadas de tecido que formam a pele: a epiderme (a mais externa) e a derme (mais interna). Para fazer a pele completa, com as duas camadas, são necessários 15 dias seguidos de cultura.

Para que servem os testes?

Em testes de segurança, os cientistas analisam, por exemplo, se a nova substância pode matar a célula, se pode se tornar perigosa ou causar danos à pele na presença de luz solar e se pode causar câncer em longo prazo.

Com as informações geradas pelos testes in silico e biológicos, os cientistas conseguem calcular a quantidade de ingredientes segura para uso, considerando o público consumidor, o tipo de produto e a frequência de uso. A última etapa dos testes é a avaliação em pessoas voluntárias.

Certificação internacional

Deixar claro para o consumidor nosso modo de produzir cosméticos é uma preocupação central e, por isso, estamos em busca de obter o selo Cruelty Free, concedido pela organização não governamental People for the Ethical Treatment of Animals (Peta), fundada nos Estados Unidos em março de 1980.