Álcool orgânico: por que tê-lo em seu perfume é melhor para o ambiente

Desde 2007, a Casa de Perfumaria do Brasil só utiliza o ingrediente vindo de cultivo sustentável em suas fragrâncias

Publicado em 4 jul 2018, 18:07

Usar um perfume feito a partir de álcool orgânico faz de uma escolha individual – a opção pela sua fragrância preferida – uma atitude de cuidado com o ambiente. O cultivo tradicional da cana-de-açúcar envolve uso intensivo de agrotóxicos e queimada da palha para facilitar a colheita, prática que gera massiva emissão de gases de efeito estufa.

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Em São Paulo – maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil –, foi criada, em 2007, uma legislação para eliminar gradualmente a queima de cana. Até 2017, que foi o prazo final para a extinção da prática, estima-se que deixaram de ser gerados 65 milhões de toneladas de poluentes que prejudicavam a saúde das pessoas envolvidas nessa cultura e o ambiente. No Brasil, por lei, as queimadas devem ser eliminadas até 2031.

Sem queimada

Preocupada em respeitar as pessoas e o planeta, a Casa de Perfumaria do Brasil usa, desde 2007, apenas álcool orgânico em suas fragrâncias. Quem fornece a matéria-prima para a Natura é a Native, empresa que teve a primeira usina a colher “cana verde” (termo para o cultivo sustentável) no Brasil.

A Native converteu 20 mil hectares de cultivo tradicional de cana em área de agricultura revitalizadora, em São Paulo e em Minas Gerais. O primeiro passo foi eliminar a queima da palha para facilitar a colheita.

Em um ano de produção orgânica, além de compensar a emissão de gases de efeito estufa derivados do seu negócio, a empresa conseguiu extrair do ambiente 45 mil toneladas de gás carbônico, oriundas de outras atividades econômicas.

Animais de volta ao canavial

Outro efeito do manejo sustentável foi sobre a economia de água. Por causa da queimada, a cana tinha de ser lavada antes de ser processada, o que gerava o gasto de 4 milhões de litros de água por hora.

Agora o impacto mais visível da forma da Native de plantar cana-de-açúcar foi a presença de 340 espécies de animais – entre mamíferos, aves, répteis e anfíbios – na área de cultivo. Câmeras instaladas no canavial registraram lobos-guarás e onças, entre outros, em um claro sinal do conforto ambiental que o cultivo sustentável devolveu à região.