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Com parceiros, Natura celebra inauguração de escola rural no Médio Juruá

Em um dos lugares mais remotos da Amazônia, a Casa Familiar Rural do Campina é chance de estudar para jovens e adultos ribeirinhos

Publicado em 13 mai 2019, 09:05

Para cursarem o ensino médio ou cursos profissionalizantes, os moradores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDA) Uacari e da Reserva Extrativista do Médio Juruá Resex, no Médio Juruá, na região Amazônica, tinham de percorrer 368 km de lancha (único meio de transporte possível) até Carauari (AM), a cidade mais próxima. Desde 18 de março, essa realidade mudou com a inauguração da Casa Familiar Rural do Campina, que já está gerando um impacto positivo na comunidade.

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Resultado do esforço de uma rede de parceiros vinculados ao Fórum do Território do Médio Juruá, liderada pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS), a escola rural nasce com o intuito de promover um intercâmbio entre os conhecimentos locais e técnicos. Nós, da Natura, apoiamos o projeto desde o início, desde a concepção da iniciativa até a formação da equipe envolvida nele, pois acreditamos que a educação seja um processo fundamental para construir um mundo mais bonito.

O Médio Juruá foi uma das primeiras regiões com a qual começamos a nos relacionar na Amazônia, a partir do lançamento de Ekos, no ano 2000”, afirma Priscila Matta, nossa gerente de sustentabilidade e do Programa Natura Amazônia. É da região que vêm a andiroba, o murumuru e a ucuuba que usamos em nossos produtos.

A construção da escola teve ainda o financiamento da Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional (USAID na sigla em inglês), além de parcerias com a Associação dos Moradores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari (Amaru), a Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc) e a Prefeitura Municipal de Carauari.

Programa Amazônia

Criado em 2011, o Programa Amazônia tem como um de seus pilares promover o desenvolvimento sustentável das comunidades com as quais nos relacionamos. Por isso, nada mais natural que dediquemos atenção especial à educação do campo e da floresta.

Segundo Priscila Matta, ao avaliar maneiras de promover a educação a povos e comunidades tradicionais que são parceiras da Natura nas cadeias da sociobiodiversidade, descobriu-se a Casa Familiar Rural (CFR). Com origem na França, na década de 1930, o modelo é baseado na pedagogia de alternância. Os alunos ficam, em média, 15 dias direto na CFR, com aulas em período integral, e 15 na propriedade agrícola em que vivem com suas famílias. O esquema permite que temas do dia a dia dos estudantes sirvam para discussões em sala de aula.

A comunidade local tem participação ativa na CFR. A administração é feita por uma associação formada especialmente para tanto por moradores. As famílias ainda doam alimentos – cultivados por eles – para manter os alunos nos períodos em que eles ficam integralmente na escola. “O envolvimento da comunidade ajuda a combater a evasão escolar”, afirma Anderson Mattos, gerente do programa de educação da FAS.

Casa Familiar Rural

A Casa Familiar Rural Campina já tem 52 alunos matriculados. Desde 18 de março, eles cursam módulos técnicos que têm a ver com as vocações da região focadas em sociobiodiversidade e floresta. Entre os temas oferecidos estão agroecologia e empreendedorismo. No segundo semestre, começa o ensino médio de jovens e adultos em paralelo com cursos técnicos.

Há mais de cinco anos, apoiamos o modelo de ensino das CFRs. No Distrito de Nova Califórnia, em Porto Velho (RO), colaboramos para concretizar a escola rural da Associação dos Pequenos Agrossilvicultores do Projeto Reca. Também atuamos no fortalecimento de Casas nas regiões da Transamazônica e do Baixo Tocantins, sempre em parceria com a Associação Regional das Casas Familiares Rurais (ARCAFAR).