Por que o plástico é uma ameaça para o meio ambiente?

Em 2018, a ONU alertou sobre o perigo que a poluição plástica representa para a natureza e os seres humanos

Publicado em 17 dez 2018, 16:12

O plástico descartável se tornou um dos maiores desafios para nosso meio ambiente. O alerta é da Organização das Nações Unidas (ONU). Todos os anos, de 8 a 13 milhões de toneladas do material acabam nos oceanos, ameaçando a vida marinha e a nossa.

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Em mensagem no Dia Mundial do Meio Ambiente de 2018 (5 de junho), o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o mundo deve se unir para “vencer a poluição por plástico”. E não se trata de exagero de retórica.

Mais plástico do que peixes

Segundo dados divulgados no Fórum Mundial de Davos de 2016, haverá mais plástico nos oceanos do que peixes até 2050. Inventado no final do século 19, já foram produzidas 8,3 bilhões de toneladas do material (número medido a partir de 1950) no mundo. Se não bastasse a quantidade, ele ainda leva 450 anos para se decompor na natureza.

Obviamente, o problema não é a matéria-prima em si – afinal ela tem inúmeras utilidades –, mas como nós a usamos. De todo o plástico produzido, apenas 9% é reciclado. Nossa maneira de lidar com itens como sacolas e garrafas plásticas é, no mínimo, irresponsável. Da primeira, por ano, usamos 1 trilhão de unidades. Da segunda, descartamos 1 milhão por minuto.

Atitudes simples podem causar um tremendo impacto positivo nesse cenário. Na hora de fazer compras, carregue uma sacola retornável. Em vez de consumir garrafas plásticas, incorpore o hábito de ter consigo sempre uma garrafa reutilizável. Quer ir além? Reflita antes de consumir qualquer coisa.

Contaminação da água

Se 90% das aves marinhas já comeram plástico, a situação dos seres humanos não é das melhores: 83% da nossa água de torneira contém partículas do material, sendo que seus compostos químicos podem ser encontrados na nossa corrente sanguínea. Os efeitos disso? A ciência ainda não conseguiu determinar.

Reutilizar é a palavra que pode mudar esse cenário e é ela que norteia nossa atividade. Além de oferecer refis de mais de 110 de nossos produtos (em 1983, fomos a primeira indústria brasileira de cosméticos a oferecer essa possibilidade), temos outras três frentes de concentração de esforços: uso de materiais reciclados pós-consumo e de novos materiais e estudo de alternativas de design para o menor consumo possível de insumos. Inovar é nossa maneira de lidar com o problema.

Alternativas

No documento Visão 2050 – no qual reunimos nossos compromissos para um desenvolvimento sustentável –, estabelecemos que usaremos 10% de material reciclado pós-consumo na massa total das embalagens Natura Brasil até 2020.

Ainda na Visão, colocamos como meta ter, até esse mesmo ano, 40% de embalagens ecoeficientes. Para ser considerada como tal, a embalagem tem de ser feita com 50% ou mais de material reciclado pós-consumo, ou 50% ou mais de material de origem renovável  ou ser um refil com, no mínimo, 50% menos material do que o item regular.

Por fim, investir em inovação para utilizar materiais alternativos ao plástico convencional é nossa preocupação constante. Duas soluções nas quais apostamos são o PET reciclado pós-consumo e o plástico verde. Utilizamos o primeiro na linha Ekos, desde 2007. Feito a partir da cana-de-açúcar – e portanto de origem renovável –, o segundo tem sido usado desde 2010, estando inserido em marcas como Tododia e Plant.

Fontes: The Secret Lives of Everyday (1997); Cradle to Cradle (2002); The Story of Stuff Project (2007); Bag Ut (2010); The Clean Bin Project (2010); The Men Who Made Us Spend(2014); My Plastic Free Life; American Chemistry Council: Plastic Make It Possible; www.cleanup.org.au;, e www.environment.gov.au.