Saiba o que significa dar um presente em algumas culturas

No Japão, ao presentear, é preciso insistir para que a pessoa aceite o agrado. Veja essa e outras curiosidades

Publicado em 11 jul 2018, 19:07

A origem do hábito de presentear é incerta, mas há registros que datam de por volta do ano 800 a.C. Nessa época, os druidas – pessoas consideradas de grande sabedoria dentro da cultura celta (povos de família linguística indo-europeia que se localizavam no oeste da Europa) – tinham o costume de presentear com visgo, uma planta considerada sagrada.

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Eles acreditavam que dar visgo de presente, no começo de cada ano, atraía boas energias para o período que se iniciava. Para os celtas, compartilhar algo era prenúncio de boa sorte.

Em Roma e na Grécia

Na Roma Antiga, os presentes apareceram nas celebrações chamadas de Saturnais. Nesse período, os amigos eram visitados e presenteados com figuras de terracota ou de prata e com pequenas velas de cera – estas, provavelmente, para comemorar a volta do sol com sua luz.

Já na Grécia Antiga, os amigos agradeciam favores com a troca de presentes. Não aceitar ou não retribuir um agrado era considerado uma afronta e uma forma de hostilidade.

Ao longo dos anos, o ato de presentear ganhou novos significados e funções. Hoje, o ritual se mantém forte e as formas de celebrar com presentes ainda variam de acordo com os hábitos e as crenças.

O presente na cultura cristã

Os objetos ofertados pelos três reis magos – ouro, incenso e mirra – para celebrar o nascimento de Jesus viraram o símbolo do presentear durante o Natal para os cristãos.

Os três presentes dados pelos reis magos são tão importantes que, por si só, podem resumir parte das crenças da doutrina. O ouro remete à divindade de Jesus e sua realeza; o incenso, à fé; e a mirra seria o símbolo da imortalidade.

O presente na cultura japonesa

No Japão, a embalagem e o ritual de presentear são tão importantes quanto o presente. Para os japoneses, um presente expressa gratidão e respeito.

O embrulho deve ser elaborado e executado justamente para expressar esses sentimentos. Mas o interior também importa – o agrado deve ser selecionado de acordo com o papel que exerce o presenteado.

Um objeto para o chefe sempre será um pouco superior ao escolhido para os colegas de trabalho, mas todos devem ter qualidade e não constranger de forma alguma quem os recebe.

Outra forma de demonstrar respeito é entregar o presente com as duas mãos. Se o presenteado recusar o item, é preciso insistir algumas vezes. Não aceitar um presente nas primeiras ofertas é sinal de humildade na cultura japonesa.

O presente na cultura judaica

Nas celebrações judaicas, presentear também é um ritual comum. Em algumas ramificações do judaísmo, quem está casando recebe dos mais velhos um pouco de pão, para que nunca falte alimento na nova vida, e sal, como símbolo de uma união indestrutível.

Durante o período do Rosh Hashaná, festa de Ano-Novo que acontece entre os dias 1º e 2 de setembro, os presentes ganham uma simbologia bem especial. As pessoas costumam presentear com chocolates e outros doces para que o novo ano seja igualmente doce.

O presente na cultura afro-brasileira

Os presentes têm um grande papel nas crenças brasileiras que vieram dos antepassados africanos. Na umbanda, as oferendas de alimentos, flores, perfumes e adereços aos orixás  são recorrentes. Essa oferta é uma forma de alcançar ou agradecer um pedido e também serve como um meio de homenagear e fortalecer o vínculo com as divindades dessa religião.

Rosas ou cravos brancos durante o Réveillon, por exemplo, são usados para agradecer a Iemanjá o ano que passou, descarregar as energias negativas e realizar desejos de paz, amor e prosperidade.

O presente na cultura indígena

Para os índios, a oferta de presentes também tem valor especial. Na etnia Myky, presente no Mato Grosso, a caça é oferecida primeiramente para alguém considerado importante.

“O caçador pode até ficar sem carne após a oferta. Uma caça grande é dividida com todo mundo, mas o pedaço maior é oferecido para alguém por quem se tem gratidão”, relata Augusto Pereira, pesquisador que trabalhou durante dois anos com a etnia nos arredores do rio Juruena.

Augusto também conta que o povo Myky tem como costume fazer alimentos para presentear Jheta, espírito que vive perto da aldeia. A oferenda é feita em um dia de cantoria e festa.