Você já se perguntou qual a “idade ideal” para começar uma nova carreira? Ou até mesmo qual a “idade aceitável” para voltar a estudar? E aquela dúvida se estamos na “idade certa” para curtirmos a noite com as amigas, ou então viajarmos?
E, por vezes, aquela insegurança de já ter “passado da idade” de usar determinada roupa… você já teve? Todas essas questões fazem parte do etarismo – e nós precisamos falar sobre esse assunto!
A seguir, te explicamos mais sobre a discriminação etária, e como ela impacta milhões de pessoas — principalmente as mulheres — de diversas formas, todos os dias.
O que é etarismo?
Etarismo nada mais é do que o preconceito com a idade. Também conhecido como “idadismo”, “preconceito etário” ou “ageísmo”, esse tipo de intolerância está enraizado em nossa sociedade e é facilmente identificado em diversas situações.
A supervalorização do “novo”, do que “não envelhece”, do que “parece infinito”, é uma grande ilusão, afinal, passar por diferentes fases da vida e envelhecer faz parte do ciclo natural de todos.
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde realizada pelo IBGE em 2019, pessoas acima dos 60 anos lideram o ranking dos mais afetados pela depressão. Cerca de 13% da população entre 60 e 64 anos sofre com a doença, causada principalmente pelo abandono familiar e o sentimento de inutilidade.
Como o etarismo se manifesta
“Você não tem mais idade para isso!” é uma das formas clássicas de demonstrar esse preconceito. E muitas vezes, a pessoa que escuta essa frase ainda nem chegou à terceira idade.
As práticas etaristas acontecem quando pessoas são excluídas de vagas de emprego por conta da idade, idosos são descredibilizados em suas falas e opiniões por “não terem mais consciência”, uma pessoa “deixa de ser bonita” apenas por ter envelhecido e, até mesmo, quando pessoas mais velhas são classificadas como “inapropriadas” por darem início a algo novo – como uma faculdade, uma carreira, um relacionamento, etc.

Cuidado, pois o etarismo também aparece em forma de elogio. Entretanto, quando a frase começa com “mas”, não é elogio! “Você tem 60 anos? Mas nem parece!” ou “Mas ela tem o espírito tão jovem” são exemplos de discriminação etária.
É preciso entender que qualquer idade é perfeita para praticar o bem-estar e viver o seu melhor. A beleza se transforma em cada fase da vida, mantendo-se em harmonia com o tempo.
Afinal, é apenas com o passar do tempo que cultivamos as melhores experiências, entendemos o que gostamos — ou não — e aprendemos a expressar o nosso melhor, o agora, sem viver no retrovisor da juventude e nem na projeção do futuro.
Entenda o que é a gerontofobia
Agora que você já sabe o que é etarismo, vamos entender o significado de gerontofobia — também conhecida por velhofobia.
Em termos simples, a gerontofobia é o medo de pessoas idosas ou do processo de envelhecimento. Como qualquer outra fobia, causa grande desconforto e não se justifica pela realidade. Uma pessoa com esse medo pode:
- evitar o contato com idosos, mesmo familiares e amigos;
- sentir ansiedade, medo ou repulsa na presença de idosos;
- ter dificuldade em trabalhar ou conviver com pessoas mais velhas.
Diferente do etarismo, essa fobia pode afetar significativamente a vida de quem sofre com ela. Se você acha que pode ter gerontofobia, é importante procurar ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra que entenda as causas e indique o tratamento adequado.
Mulheres e o etarismo

O etarismo consegue ser ainda pior para as mulheres. Isso porque além de viverem o etarismo bem mais cedo do que os homens, esse preconceito com a idade vem aliado ao machismo.
A sociedade impõe uma data limite para elas, seja para casar, para escolher ter filhos ou para ser bem sucedida e respeitada em sua carreira. E como se isso não fosse bastante, os padrões estéticos são avassaladores: mulheres precisam parecer mais “experientes” para serem respeitadas no mercado de trabalho, mas precisam parecer mais novas em suas vidas pessoais.
Se uma mulher é vista com os cabelos grisalhos à mostra, “é desleixada”. Mas se faz muitos procedimentos estéticos para disfarçar as linhas de expressão que aparecem com o tempo, “é muito artificial”.
Deu pra perceber que as mulheres estão sempre em desvantagem quando o assunto é etarismo, né?
Ações que diminuem a discriminação etária
Você sabia que etarismo é crime no Brasil? Segundo o artigo 96 do Estatuto da Pessoa Idosa, discriminar a pessoa idosa pode levar à prisão de 6 meses a 1 ano e multa.
Além das leis, as ações e escolhas que fazemos no dia a dia ajudam a diminuir a discriminação etária. Por isso, dê espaço para pessoas de diferentes idades se expressarem, respeite a sabedoria dos mais velhos, celebre as belezas e desafios de cada fase da vida e evite estereótipos.
Se você não sabe o que é estereótipo, a gente te explica rapidinho: é uma ideia pronta, geralmente negativa, colocada em uma pessoa só porque ela faz parte de um grupo. É como pensar que todo idoso é incapaz de começar coisas novas, por causa da idade, por exemplo.
Para combater os estereótipos e o etarismo, desde 1992 Chronos Derma faz comunicações vanguardistas em favor da beleza real e livre de padrões, por meio do Manifesto Mulher Bonita de Verdade. Além disso, tem em seu casting modelos de todas as idades, o que mostra que a longevidade com vitalidade deve ser celebrada.
Conheça a percepção que algumas de nossas modelos têm em relação ao preconceito com a idade:

Cris, 58 anos: “O preconceito quanto a faixa etária existe, mas não é meu, é do outro, então eu não acato isso. As pessoas muitas vezes não sabem a idade que eu tenho. Eu não sinto esta idade cronológica.”

Christel, 81 anos: “Não sinto o etarismo em relação a mim. Pude trabalhar até 78 anos sendo valorizada, mas vejo que existe este preconceito que não é contra a pessoa, mas contra a idade que a pessoa tem.”

Betty, 74 anos: “Um número não me define. Eu tenho várias idades. Ela varia de acordo com as pessoas com quem estou me relacionando, seja uma criança de 6 anos ou uma mulher de 90. Agora que estou na velhice vejo que não é nada do que imaginei quando era jovem. Ainda existe vida neste corpo, nesta cabeça. A gente precisa mudar o modelo do que é envelhecer e se preparar para isso.”

Chan, 40 anos: “O valor da mulher desde lá de trás é de ser bonita e jovem. Além disso, normalizaram que as pessoas não envelhecem, que é ruim envelhecer. Isso fica enraizado e mesmo sem perceber, muitas vezes reproduzimos isso”
Sua melhor pele em qualquer tempo
Mais do que nunca, está na hora de enxergarmos a idade apenas como um número e não como uma definição de quem somos. Para combater e diminuir a força de qualquer tipo de discriminação, precisamos dar luz e palco ao alvo do preconceito.
Que tal se olhar no espelho e reconhecer em cada marquinha uma vivência única da sua história? O que acha de deixar de lado as ansiedades e arrependimentos e se permitir viver o agora? Reflita: o que você pode fazer HOJE para sentir-se bem e enxergar a beleza que você tem?
