O Brasil foi o último país do Ocidente a abolir a escravidão. A assinatura da Lei Áurea, em 1888, encerrou oficialmente mais de 300 anos de escravização de pessoas africanas, seus descendentes e de povos originários- mas fracassou ao não trazer políticas de reparação, inclusão social ou acesso à terra, à educação e ao trabalho digno a essa população.
Sem o devido suporte do Estado, milhões de pessoas libertas foram empurradas à marginalização, enquanto a estrutura econômica e política continuou concentrada nas mãos de uma elite formada por pessoas brancas. Esse abandono fundou as bases do racismo estrutural, um sistema que, até hoje, determina quem tem acesso a oportunidades e quem permanece à margem.
Hoje, as desigualdades raciais seguem evidentes em todos os indicadores sociais e econômicos.
Segundo o IBGE (Censo 2022), apesar de representarem mais da metade da população brasileira (56%), as pessoas negras continuam em desvantagem em praticamente todos os campos:
- O rendimento médio mensal de pessoas brancas é 73,9% maior que o de pessoas negras;
- Mulheres negras recebem, em média, 44,4% do salário dos homens brancos;
- A taxa de desemprego entre pessoas negras é cerca de 60% maior do que entre brancas (IBGE, PNAD Contínua 2023);
Esses números mostram que a desigualdade racial não é resultado de atitudes individuais, e sim de um sistema que perpetua privilégios e exclusões.
A Natura acredita que as empresas podem e devem agir como exemplo. Por isso, trabalhamos para garantir que todas as pessoas tenham acesso justo a recursos e direitos, levando em consideração suas necessidades e circunstâncias específicas.
Caminhos para o futuro
Combater o racismo estrutural exige ações contínuas e articuladas entre governos, empresas e sociedade civil. Isso inclui:
- Educação antirracista e políticas afirmativas que ampliem o acesso à universidade e a cargos de liderança.
- Revisão de práticas corporativas que perpetuam desigualdades.
- Valorização da cultura e da identidade negra como parte essencial da história e da riqueza do país.
Na Natura, temos como compromissos públicos assumidos na nossa Visão 2050:
- Garantir no mínimo 30% de posições gerenciais ocupadas por pessoas de grupos subrepresentados (negros, indígenas, LGBTQIAP+, pessoas com deficiência e outros, de acordo com o contexto local dos países em que operamos) até 2030. No Brasil, especificamente, queremos garantir 30% de pessoas negras em cargos gerenciais;
- Ter no quadro de colaboradores administrativos a mesma proporção de grupos subrepresentados que existe na sociedade (em cada país) até 2050;
- Além disso, nos últimos anos, alcançamos a equidade salarial em termos de gênero e raça no Brasil, assim como o pagamento de salário digno para todas as pessoas.
O futuro se constrói com o reconhecimento do nosso passado, o enfrentamento das desigualdades e o compromisso coletivo com a justiça racial e a criação de oportunidades para todas as pessoas. Na Natura, acreditamos que cuidar das relações é essencial para regenerar o mundo e transformar realidades.
Para mais detalhes, conheça nosso Manifesto Antirracista.
*Este conteúdo foi produzido em parceria com o Ministério Público do Trabalho.
