Como os estereótipos impactam na vida de um negro

Dos estereótipos que embaçam nossa visão: Diógenes é um cara tranquilo, mas, por ser negro e grandão, é tachado de truculento

Publicado em 4 jul 2018, 17:07

Por Papo de Homem

Ser um cara negro e grandão, forte, "parrudo", faz do Diógenes um homem estereotipado: "Bom, já que ele é assim, aposto que é um tipo machão, que sabe se impor nos locais e na rua, que usa seu tamanho para naturalmente intimidar as pessoas, além de alguma ferocidade que os negros carregam consigo".

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Que pensamento maluco

O Diógenes é web designer e das pessoas mais doces e tranquilas. Tem uma fala eloquente e serena.

Até uma colega de sua esposa uma vez falou: "Ah, mas você não é um negão negão, né?". E, quando ele perguntou o que era ser um "negão negão", teve a resposta: "Você não é mano, né? Você até fala de alguns outros assuntos, às vezes".

A expectativa é que um cara grandalhão seja mais agressivo no jeito de lidar com as coisas, que tenha um comportamento mais bruto e uma linha de raciocínio mais limitada.

"Ainda é uma questão pra mim, de vez em quando, de ser machão, de ser o viril, de ser o cara mais agressivo, porque, às vezes, isso me incomoda. Para as pessoas até assusta eu não ser esse cara mais machão, talvez por causa do meu tamanho", diz ele em um episódio da série CAIXA-PRETA #21.

E mais: 

"As pessoas esperam que eu tenha atitudes mais expansivas, mais agressivas. E eu não consigo".

A complicada situação de não ser o que as pessoas esperam de você no simples ato de te olhar. Diógenes segue sua vida com o lema de que não tem que agradar todo mundo, que não dá pra forçar algo que não é natural.

Ainda bem. Que bom podermos ser quem simplesmente somos.

E ainda tem uma segunda parte

Diógenes conta quando seguranças de um carro-forte acharam que ele tinha intuitos de assaltar um banco e da relação dele com sua mãe, uma mulher negra e nordestina, que trabalha há mais de vinte e cinco anos no sistema prisional.