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Ana Paula Xongani fala sobre autoestima e aceitação do corpo negro 

A influenciadora digital e empresária é a estrela da campanha que lança Tododia Folhas de Limão e Graviola

Publicado em 29 jan 2019, 19:01

Empresária de moda e influenciadora digital, Ana Paula Xongani carrega para suas reflexões sobre autoestima, racismo, entre outros assuntos, mais de 116 mil inscritos no YouTube e 60 mil seguidores no Instagram. De um jeito espontâneo e direto, a afroativista trata essas questões contando episódios da própria vida, como nunca ter alisado o cabelo e ter usado só roupas pretas da cintura para baixo, por muito tempo, para esconder o corpo.

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Xongani é um dos rostos da campanha de lançamento de Tododia Folhas de Limão e Graviola. A linha de produtos convida a mulher a fazer um detox do próprio olhar, enxergando a si mesma de forma mais gentil e amorosa. Porque não é o corpo feminino que tem de mudar e, sim, a maneira como ele é visto.

A empresária e influenciadora também teve de mudar seu olhar para se tornar a mulher que é hoje, daí a conexão com a campanha. Xongani conta que o racismo sempre a atacou, mas nunca a atingiu graças a forma como os pais a criaram. Um exemplo desse fortalecimento de personalidade é que ela começou uma coleção de Barbies negras ainda na década de 1990, quando essa categoria da famosa boneca era raríssima. 

Essa proteção me deixou mais preparada antes de o racismo me atingir diretamente, como na adolescência e na vida adulta. Fui preterida, tive questões com meu cabelo, mas foram coisas solucionadas, porque tive uma base familiar muito fortalecida.”

De bem com o corpo

Hoje, o corpo, antes escondido, é uma questão bem resolvida. Ela entende suas curvas e se sente livre para escolhas. “Até hoje não sou considerada nem gorda nem magra.”

Proprietária do Ateliê Xongani, onde há cerca de dez anos produz moda com pegada africana, a empresária analisa como os padrões de beleza pré-estabelecidos complicam ainda mais a vida de mulheres negras, uma vez que a sociedade, segundo ela, só enxerga o corpo pelo viés branco, magro ou gordo e ponto. 

Alguns corpos negros como o meu são volumosos, independentemente de serem gordos ou magros. No balé, por exemplo, era chamada de formiga por causa da bunda muito grande. Ainda hoje, as roupas não são feitas para diversos formatos de corpos, então, não me servem.”

O lugar da mulher negra na sociedade

Em maio de 2018, Xongani fez um vídeo que comoveu a internet. Com o título de “Eu tenho pressa”, ela fala sobre a solidão da mulher negra em um emocionante relato sobre ter visto a filha, Ayo, de apenas quatro anos, ser excluída no playground do condomínio onde moram. Mais de mil comentários trouxeram à tona outras histórias parecidas e solidariedade, pelo ocorrido com a menina, que é tão querida quanto a mãe pelos Xongs, forma carinhosa como se refere aos seguidores. 

O assunto é delicado e a influenciadora confessa que não gosta de falar sobre ele Para resumir, ela cita a frase da executiva da Microsoft Lisiane Lemos: “Diversidade é você chamar para o baile. Inclusão é chamar para dançar”.

“A solidão vai além do aspecto afetivo e sexual. A afetividade compreende outras relações. Você até consegue espaço em uma grande empresa, mas é a única e isso impacta diretamente na autoestima, em como construir uma autoimagem e se sentir pertencente aquele espaço”, explica.

O olhar do outro

Xongani afirma que estar nos lugares e se sentir parte deles é uma batalha que ela nunca abriu mão. “Nunca me apartei de me relacionar com outras pessoas. Sempre trabalhei minha autoestima para isso, mas sempre precisei retornar ao ‘meu quilombo’, como falamos, para estar junto dos meus iguais.”

Para ela, esse retorno à origem é fundamental, pois mostra que se, no outro espaço, não sou amada, o problema não sou eu. Segundo ela, isso significa responsabilizar o outro pelo racismo. 

“A culpa do racismo não é nossa. Não podemos sentir culpa por sermos preteridos, não é o nosso cabelo, cheiro... O problema é o olhar do outro. Cresci consciente a respeito disso.”

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