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Mirian Bottan fala sobre a importância da diversidade de corpos 

Jornalista e influenciadora superou a bulimia e hoje é uma das vozes pela aceitação do próprio corpo

Publicado em 11 fev 2019, 20:02

Um dos rostos do lançamento da linha Tododia Folhas de Limão e Graviola, a jornalista e influenciadora Mirian Bottan fotografou para a campanha como uma forma de amplificar seu discurso pela diversidade de corpos. Depois de ter tido bulimia, dos 13 aos 29 anos, e também ortorexia (compulsão por alimentação saudável) na fase adulta, hoje, aos 32, ela só quer levar uma vida tranquila, sem medidas ou balança.

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Fazer essas fotos e colocar as mulheres em contato com um corpo mais próximo ao delas na mídia já é motivo suficiente para eu me sentir bem nesse contexto. Precisamos estimular, cada vez mais, o debate sobre essa pressão estética”, fala ela, que sentia “ódio do próprio corpo” antes de superar os transtornos. 

A fala de Mirian explica sua conexão com Tododia. A linha de produtos convida a mulher a fazer um detox do próprio olhar, enxergando a si mesma de forma mais gentil e amorosa. Porque não é o corpo feminino que tem de mudar e, sim, a maneira como ele é visto.

A principal plataforma de comunicação da influenciadora é o Instagram. Na rede social, ela usa a hashtag “projeto vidão” em contraposição ao “projeto verão”, utilizado para falar de dietas e treinos para se alcançar o “corpo perfeito”. 

“Cresci em uma família na qual engordar era ruim”

Foi durante a terapia que Mirian ligou a doença ao que viveu na infância. “Tive uma família com visão gordofóbica. Engordar era ruim.” Desde os 5 anos, ela participava de concursos de beleza. Foi neles que começou a entender que “ganharia coisas se fosse a mais bonita”. Uma ideia perigosa, segundo ela, e que foi plantada em sua cabeça. 

Nem sabia quem eu era direito, mas entendia que celulite era ruim. Aos 11 anos, escrevi em um diário que tinha de emagrecer e coloquei minhas medidas lá. Por que já pensava nisso com essa idade?”, questiona. Tudo isso aconteceu no início dos anos 2000, quando imperava o padrão de modelos muito magras nas passarelas. “Minha referência era ver meus ossos no espelho.”

Para Mirian, se ela não tivesse começado a fazer dieta aos 11 anos, talvez não tivesse desenvolvido compulsão alimentar. “Perdi o controle e isso foi escalando. Em um belo momento, percebi que engordava com a dieta e resolvi comer o que queria e vomitar”, lembra. 

Ser o apoio e o exemplo que não teve 

Quando se percebeu doente, vomitando oito vezes por dia sem que ninguém em casa percebesse, Mirian procurou na internet referências sobre o que estava passando. E não encontrou. Além de grupos de meninas que compartilhavam ideias sobre como se livrar do peso, a falta de empatia dos especialistas com o assunto a fez piorar. 

Tentei me tratar em diversos lugares e o discurso era sempre o da ameaça: ‘Se não melhorar, não subir o nível de ferro, a gente vai internar você’. Nunca teve diálogo, conexão, ninguém entendia o que eu passava”, conta. 

Livro em vista

Hoje, a forma como ela se comunica a aproxima de outras mulheres, principalmente pré-adolescentes, que agradecem por ver o assunto ser tratado publicamente e de forma natural. “Outro problema é sempre falar sobre os transtornos como algo bizarro e nojento, que é justamente o que faz a gente se trancar ainda mais na doença.”

Mirian recebe relatos de agradecimento por trazer o tema à tona de maneira leve, crível e com informação. “Elas não sabem que tomar laxante é um comportamento de compensação. Por isso é importante falar e orientar sobre sintomas como esse, que as pessoas vivem sem nem saber o quão são perigosos.”

Além de continuar o ativismo nas redes sociais, participar de eventos e dar palestras sobre o tema, Mirian quer publicar um livro que conte sua história em 2019. Ela contará como descobriu e superou a doença, além de análises nutricionais e psicológicas sobre, por exemplo, os mecanismos dos comportamentos compulsivos. “Quem tem bulimia corre grande risco de migrar para outro transtorno, como eu, e assim por diante.”

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